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NEUROCIENTISTA MIGUEL CASTELO-BRANCO FALOU NAS TARDES COMUNITÁRIAS EM CANTANHEDE

CANTANHEDE

Envelhecimento e doenças neurodegenerativas foi o tema da palestra que o médico, neurocientista e professor universitário Miguel Castelo-Branco deu no passado dia 24 de maio na Biblioteca Municipal de Cantanhede, no âmbito de mais uma sessão das Tardes Comunitárias.

Perante uma plateia que esgotou o auditório da biblioteca, maioritariamente composta por participantes habituais daquele programa de animação sociocomunitário, mas também com profissionais de Instituições para Idosos e alguns estudantes, o prestigiado investigador alertou para a importância do diagnóstico precoce das doenças neurodegenerativas, tendo destacado a importância de exercitar o cérebro ao longo da vida.

Ler e ter atividade mental protege muito o cérebro, daí a importância de promovermos o envelhecimento ativa”, enfatizou, lembrando que, desta forma, “o nosso cérebro está a criar reservas para enfrentarmos o envelhecimento”.

Já sobre a importância do diagnóstico precoce de doenças como a Alzheimer e Parkinson, Miguel Castelo-Branco deu conta de que “a deteção de problemas numa fase inicial permite reabilitar e prevenir danos maiores no cérebro”, ainda que não existam medicamentos curativos. “A imagiologia veio dar-nos uma ideia precisa daquilo que se passa no cérebro, que vai mudando antes e depois do diagnóstico. No fundo, ele tenta adaptar-se à doença e embora se torne mais lento, também fica mais sábio”, explicou.

Sobre os alertas que devem ser levados em conta, o neurocientista deixou um exemplo simples: “se uma pessoa, conhecida por não se esquecer de nada, começar a ter falhas de memória, é bom que recorra a ajuda médica”.

Miguel Castelo-Branco nasceu em Coimbra, em 1967, onde se licenciou em Medicina. Foi aluno do programa de doutoramento em Medicina e Biologia da Fundação Gulbenkian, cujo trabalho foi realizado no Instituto Max-Planck para a Investigação do Cérebro. 

Foi professor de Neurociência Cognitiva da Universidade de Maastricht, onde é atualmente Professor Afiliado e Investigador do Instituto Max-Planck. 

Ganhou o Grande Prémio Bial de Medicina em 2009 e de Medicina Clínica em 2023, tendo sido, em 2011, distinguido como Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique. Ganhou também o Prémio Obstbaum, da Academia Americana de Oftalmologia, bem como o prémio FLAD Life Sciences e dois prémios Pfizer, entre outras distinções. 

É coordenador da Rede Nacional de Imagiologia Cerebral e investigador responsável de vários projetos nacionais e europeus, com enfoque na investigação em translação envolvendo ensaios clínicos nas áreas dos dispositivos médicos cerebrais em doenças do neurodesenvolvimento. É ainda vice-presidente da Associação Portuguesa para as Perturbações do Desenvolvimento e Autismo (APPDA-Coimbra). 

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