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TOMÁS TRAVELHO: “O CAMINHOS É UM BOM FESTIVAL DE DIVULGAÇÃO E ESPEREMOS QUE NÃO SEJA ÚNICO”

ENTREVISTAS

Tomás Travelho, um mirense que frequenta a Universidade de Artes e Letras na Universidade da Beira Interior, é o diretor de fotografia da curta documental “À Margem da Linha”, um filme de Filipa Duarte. Esta entrevista nasce a esse propósito. 

 

O que é, do que consta, o filme “À MARGEM DA LINHA”? 

À Margem da Linha é uma curta documental com uma componente muito observacional e refletiva à cerca das regiões de Cascais e Sintra, especificamente, como as linhas de comboio dessas regiões se tornam numa ligação entre estas duas áreas opostas e como ele (comboio) oferece potencialidades de reflexão à cerca do contexto social e habitacional destas duas regiões. Nós (espectador) seguimos durante um dia estas linhas através do comboio, que ao longo da curta é como uma personagem omnipresente, ou seja, um fio condutor sem termos a perceção visual dele inicialmente, viajando algumas vezes dentro dele com foco para o exterior, e à medida que seguimos pelas várias regiões, começamos a observar mais este comboio como um grande ponto de referência da continuidade do dia a dia comum dos vários habitantes. É um documentário que partiu de uma perspetiva muito pessoal da realizadora (Filipa Duarte) e ao qual os vários elementos da equipa viram muitas potencialidades de trabalhar os seus aspetos, quer a nível temático, como técnico a nível de imagem, som e montagem. 

 

O que representou para ti seres o diretor de fotografia? 

Quando estive na licenciatura em cinema na UBI, eu decidi focar-me mais em fotografia, porque principalmente quando imagino histórias para concretizar numa curta ou um filme, eu sou muito visual, ou seja, não tenho uma memória fotográfica, mas acho que visiono as coisas muito fotograficamente. É olhar para algo e perceciono logo um plano, algo bem composto, e em parte o documentário ajudou muito e incentivou principalmente a utilizar esse meu caráter observacional e encontrar composições harmoniosas, mas principalmente que contem algo, que tenha um propósito narrativo que favoreça a narrativa que procuramos captar numa imagem. Para mim é assim, qualquer bom fotógrafo consegue gravar e tirar fotos bonitas, mas seres diretor de fotografia num filme tem que se olhar para vários aspetos, que para mim, devem favorecer o filme na sua linguagem cinematográfica e para isso tem que se ter em conta vários aspetos que vão do posicionamento da câmara, o ângulo, a iluminação, posicionamento dos vários elementos, tudo isto tem que ter um objetivo para com a curta, não simplesmente só porque é bonito. Na pré-produção, como diretor de fotografia, tem que se interpretar e assimilar principalmente o que a realizadora quer neste caso, e nós (eu e Filipa), tivemos uma boa relação no sentido em que eu compreendia o que ela queria ao mesmo tempo que ela me dava confiança na forma como pensava a imagem nesta curta. 

 

Qual a importância deste filme ser selecionado para o CAMINHOS? 

Em parte, é principalmente o reconhecimento. A nossa equipa em geral saiu satisfeita ao fazer esta curta, nós trabalhamos muito na sua conceção, tendo em conta as 

dificuldades que tivemos na adquirição de direitos que é algo muito burocrático e muitas vezes demora algum tempo. No meu caso, eu fiquei muito concretizado ao fazer esta curta, principalmente porque estava na minha zona, e percecionava que estava a fazer aquilo que gostava e ficava satisfeito com o resultado, e acho que em geral a equipa técnica em parte sentiu que fez um bom trabalho na sua própria área. Não só me senti bem como também tive o meu assistente de imagem (Diogo Rodrigues), no qual tivemos uma boa relação de trabalho e ele próprio também se sentia na sua área. Isto tudo para dizer que este reconhecimento em si confirma o que nós inicialmente sentimos ao querermos fazer parte deste projeto (que foi o nosso projeto final da licenciatura), expor as nossas capacidades e perspetivas sobre como fazer cinema, e ao mesmo tempo oferecer algo que mais tarde possa ser refletido e lembrado como um bom filme onde cada um pode demonstrar as suas capacidades na sua melhor forma, e os Caminhos é um bom festival de divulgação e esperemos que não seja único. 

 

O cinema é um caminho que queres continuar a percorrer? 

Definitivamente. É complicado em Portugal? É. Mas eu tenho em mim uma motivação que não me deixa estar de braços cruzados, eu quero continuar a desenvolver mais e mais. 

Eu que gosto de fotografia estou sempre a tirar fotos, em parte também percecionei um futuro em que gostaria de ter uma carreira em fashion photography (fotografia virada para a moda). Mas no meu centro, ao estar sempre olhar para coisas e procurar significados narrativos nelas, estou sempre a criar histórias, e o cinema para mim é o melhor meio para criativamente espalhar essas mesmas histórias e desenvolver melhor éticas de trabalho, porque sendo o cinema um trabalho que requer uma equipa, muitas vezes em grande escala, leva-me a adaptar e a melhorar a minha flexibilidade técnica e criativa perante uma situação, algo que me dá ainda mais motivação. Muitas situações de stress são as que me dão mais genica, e no cinema a única coisa que não falta é stress. 

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