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TANQUES PARA BARRO DA SOCIEDADE CERÂMICA ANTIGA DE COIMBRA DESCOBERTOS NO TERREIRO DA ERVA 

DO OUTRO LADO

Os trabalhos arqueológicos realizados na Rua Direita (números 134-138) e no Adro de Santa Justa (número 22), já com relatório final aprovado pela Direção Regional da Cultura do Centro e realizados no âmbito do projeto de reabilitação e ampliação desses imóveis levado a cabo pela da Câmara Municipal (CM) de Coimbra, puseram a descoberto tanques para depósito e tratamento das misturas do barro para a produção da faiança de Coimbra, construídos por volta de 1824. Esses tanques foram, entretanto, remetidos ao esquecimento, a partir da década de 80 do século XX, altura em que se deixou de tratar o barro na olaria, passando-se a comprar as pastas já preparadas a fornecedores industriais.

Os trabalhos decorreram no âmbito de um projeto da CM de Coimbra para a reabilitação e ampliação dos imóveis da Rua Direita (134 a 138) e Adro de Santa Justa (22) e os antigos tanques para depósito de barros pertencentes à olaria “Sociedade Cerâmica Antiga de Coimbra, Lda.” foram sinalizados num quintal. As sondagens arqueológicas de diagnóstico prévio realizaram-se em julho e agosto de 2022, sob a responsabilidade científica do arqueólogo Sérgio Madeira, com a codireção da arqueóloga Joana Garcia, fazendo, também, parte da equipa as arqueólogas Ana Sofia Gervásio e Clara Sousa e os assistentes operacionais António Monteiro e Delfim Almeida.

Puseram-se, então, a descoberto os tanques para o depósito dos barros, que se encontravam num local contíguo à antiga fábrica, situada entre o Quintal do Prior (Terreiro da Erva, a partir de 1959) e a Rua Direita. Recorde-se que na Baixa de Coimbra não existiam barreiros disponíveis para a extração do barro necessário à produção da faiança de Coimbra. 

A antiga olaria, também conhecida por “Fábrica do Lagar”, devido ao facto de lá ter funcionado, anteriormente, um lagar, foi sobrevivendo ao longo dos anos, adaptando-se aos tempos atuais e hoje é um espaço renovado – mantendo um pequeno núcleo onde é desenvolvida a produção artesanal tradicional de louça de Coimbra, articulando matérias e técnicas tradicionais com soluções contemporâneas – que mereceu várias distinções, entre elas o Prémio Nacional de Reabilitação Urbana 2017, Prémio Municipal de Arquitetura Diogo de Castilho 2019 e o Prémio Nuno Teotónio Pereira 2019.

Futuramente, prevê-se a integração e manutenção dos vários tanques e demais estruturas associadas, em harmonia com o projeto de arquitetura a desenvolver, por forma a preservar as evidências da importância arqueológica deste microterritório e da sua ligação à produção da louça de Coimbra. 

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