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OPINIÃO: O LÓBI DOS MÉDICOS

Opiniao

Apesar de se dizer que temos a melhor geração de sempre, a mais bem preparada, qualificada, com profissionais formados em diversas áreas do conhecimento, no ensino superior e universitário, e dos quais não tiramos o devido proveito, por não haver atractividade salarial para os reter, estes são forçados emigrar.

Ou seja: apesar de tudo, do grande esforço das famílias e algum do Estado, o benefício, vai, sem nenhum esforço, para os países para onde emigram.

Os relatos de sucesso, lá fora, ouvem-se com frequência, em variadíssimas áreas profissionais. E continuam e emigrar. Vão à procura de melhores salários e outros fogem do desemprego.

 2- Estranha, e apressadamente, (?) já há comissão para a comemoração das cerimónias do 25 de Abril de 2024, onde se celebrarão os 50 anos de democracia e liberdade em Portugal (?). Não sei o porquê de tanta pressa, a não ser a de criar, mais, uns tantos lugares para boys e girls, bem remunerados, a destempo.

3- Celebrar a Abril, com esta megalomania socialista, quando não houve a coragem de, em meio século, autorizar a criação de universidades privadas para a formação de médicos, à semelhança do que acontece com os demais cursos, é admitir o fracasso no campo da igualdade de direitos e oportunidades. Nem sequer estamos a falar de novas universidades estatais?

Ou será que as universidades privadas, em Portugal, não teriam a capacidade e idoneidade que têm as estrangeiras, para formar médicos?

Sem igualdade, não há suporte moral, ético, ou politico, para vivermos uma democracia moderna e arejada, e, muito menos, plena de liberdade. Liberdade de poder  escolher e decidir.

Afinal, cinquenta anos depois, o que é que o governo se propõem celebrar, para além da nossa mediocridade? O nosso falhanço? Ou a cedência perante o lóbi dos médicos?

 Actualmente, em medicina, vemos vidas de jovens truncadas, amarguradas, por não conseguirem as almejadas notas, ficando tantas vezes, a décimas de entrar para o curso a que, durante 12 anos da sua vida, se devotaram. Notas, de acesso, que roçam o escândalo, sem ter em conta a variante mais importante: a vocação de cada aluno.

Notas escandalosas e pouquíssimas vagas.

Aqueles, cujos pais os podem financiar, vão para o estrangeiro e com eles vai uma fatia considerável investimento que podia ficar em Portugal.

Sabemos que, a poderosa Ordem dos Médicos, (OM) não quer desemprego na classe, o mesmo que pode atingir, e atinge, outras áreas profissionais. Mas, pessoalmente, aceito e concordo com as regras do mercado. É a liberdade da oferta/procura a funcionar. E não com a manifesta falta de pulso governamental, perante a Ordem dos Médicos, ao não conceder licenças para que universidades privadas possam formar médicos, nem sequer o alargamento considerável de quotas para mais admissões.  

O colapso na saúde está eminente. 

A pequeníssima excepção, abriu-se este ano para a universidade Católica, com apenas 50 vagas. Como é evidente não chega a nada.

E porque é que, a mesma licença, não foi atribuída (também) àquelas que, há anos, vem pugnando para a sua obtenção?

Aqui ao lado, a Espanha tem 43 cursos de medicina 11 deles de medicina privada.

Impõe-se, porem, a seguinte pergunta: quem é que manda no país? É o governo ou a Ordem dos Médicos?

A resposta parece mais que obvia.

Assistimos, todos os dias, à deterioração dos hospitais públicos, pela falta de médicos, sendo que, muitos deles, cansados e mal pagos, fogem para os hospitais privados. 

E não tem sido pior porque temos recebido médicos estrangeiros, a quem nada nos importa. Nem a nota de acesso à universidade, ou, se a mesma, era pública ou privada.

Apesar das muitas mordomias oferecidas aos médicos, para os cativarem a ir para interior este, desertifica-se e fica muito mais inseguro, porque os médicos se negam a ir para lá. Tem esse luxo, esse privilégio, porque não os há. Agora, imaginem que, as outras classes profissionais, (pudessem) fazer o mesmo?

 

Candemil, a 15 de Dezembro de 2022

José Venade/ turismopt16@gmail.com

(José Venade não segue o actual acordo ortográfico em vigor)

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