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OPINIÃO: MANDARIM, UM CASO DE (IN)SEGURANÇA PÚBLICA, MAS SERÁ O ÚNICO?

Opiniao

No passado dia primeiro do mês de novembro do ano de dois mil e vinte e dois, por ordem do Ministro de Administração Interna, José Luís Carneiro, foi determinado que o espaço de lazer, colocado na cidade dos estudantes, denominado como Mandarim, foi encerrado no prazo máximo de seis meses.

Antes de abordar esta decisão, devo fazer uma declaração de interesses, sou contra e condeno totalmente as ações de violência excessiva por parte dos seguranças privados de toda e qualquer discoteca ou bar noturno.

Analisar o caso “Mandarim”, de forma isolada pode até fundamentar a decisão tomada pelo nosso totalmente capaz ministro, contudo como tudo na vida, uma análise feita sem rede normalmente conduz a decisões erradas.

Quem vive a vida noturna de Coimbra ficará chocado com esta decisão, uma vez que a violência exercida de forma a terminar conflitos é prática constante em todos os lugares de lazer noturno, muitas das vezes colocada em prática após imensas provocações que excedem todo e qualquer limite, de relembrar que aqueles que são denominados de seguranças, estão sujeitos a provocações constantes e muitas das vezes as agressões que tendem a não dar resposta até se tornar impossível não o fazer. Neste sentido, o controlo da mesma de forma a manter a ordem é prática constante na cidade de Coimbra, bem como em todo o país.

Mas olhemos para a insegurança pública que se vive na cidade, talvez isto não seja assunto pertinente para se falar, porque é completamente ignorado por aqueles que lhe devem atenção, o perigo que são as ruas da baixa de Coimbra quando escurece, o medo dos jovens de se movimentarem sem serem assediados ou talvez assaltados, com inúmeros casos desconhecidos e que ninguém tenta conhecer, talvez olhar para a criminalidade noturna, em Lisboa, Coimbra e Porto não seja agradável a quem discute estes assuntos, é sempre mais fácil atacar o elo mais fraco, neste caso, um bar que eleva os níveis de lazer da cidade de Coimbra, que cria inúmeros postos de trabalho, que aumenta a qualidade de vida e que acolhe todos aqueles que colocam os pés em Coimbra, dificilmente encontrarão uma reclamação no atendimento deste bar, contudo e devido ao facto do seu gerente ser de uma etnia pouco amada no nosso país, à primeira situação de maior relevo, tomou-se a decisão mais fácil. Fechando os olhos a tudo o que se passa nos restantes lugares de lazer noturno desta cidade.

E colocando esta situação num ponto de comparação, ao longo dos últimos anos, na capital do país, num bar que alberga uma quantidade muito maior de gente, houve vários incidentes que resultaram em vários feridos e que simplesmente nunca foram alvo de sanções por parte do nosso ministério, o Urban, colocado na zona de Cascais, todos os anos nos apresente, feridos com base em ataques de armas brancas ou armas de fogo, contudo este nunca foi alvo de uma sanção tão rígida e pesada como o Mandarim.

Olhar para uma situação sem rede conduz sempre a decisões arbitrárias ou que já estavam tomadas muito tempo antes do acontecimento que supostamente é o responsável pela mesma.

No momento em que antes de se tomarem decisões como esta, se ouvir o povo talvez não sejam tomadas, no momento em que a política se torna uma decisão de amigos em volta de uma mesa a quilómetros do local onde acontecem os problemas, a sociedade perde, o povo perde e acima de tudo o futuro daqueles que ainda o irão viver é condenado pelo presente daqueles que não querem saber de nada para além do seu pequeno umbigo.

Antes de fecharem todo ou qualquer espaço de lazer, baseado em acusações muitas vezes “anónimas”, dirijam-se ao local, perguntem e façam a vossa decisão ser tomada com base na realidade e não apenas em suposições que servem para cumprir as vossas próprias vontades.

A cidade de Coimbra não irá esquecer este incidente, não irá condenar arbitrariamente ninguém, a cidade do espírito estudantil defende aqueles que decidem depois de investigar e fundamentar as suas decisões.

O Mandarim talvez cause alguma insegurança social, mas não é de todo o maior problema, porque esse normalmente, como em todos os outros âmbitos da sociedade é ignorado e talvez por detrás do pano apoiado pelos nossos governantes!

“Os olhos de nada servem, quando a mente é cega”.

Celso Monteiro

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