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OPINIÃO: LÓGICA EM CIMA DA MESA

Opiniao

A lógica é importante quando se lida com qualquer tipo de conhecimento? Sim, principalmente quando o enquadramento é o da ciência. O da retórica e argumentação. Não é a única coisa que importa, mas é certamente importante. A lógica que pretendo falar agora, é a lógica aplicada. Aplicada ao dia-a-dia das pessoas. Uma lógica com o objetivo de ser abrangente e prática.  Pois as pessoas trazem a lógica para “cima da mesa”, com mais frequência do que possam imaginar. Quantas vezes as pessoas dizem, por qualquer que seja a razão, que algo tem ou não tem lógica, tem ou não tem sentido, é ou não é absurdo? Pois. É mais frequente do que possam imaginar. 

É muito frequente as pessoas realizarem este tipo de “juízos lógicos”. O que poderá não ser tão frequente é as pessoas refletirem profundamente acerca deste tipo de juízos. E diante o quê se costuma realizar juízos lógicos? Assuntos, crenças, situações, teorias, ideias, ideais, ideologias, etc. Fazer um juízo lógico, dizendo que algo tem ou não tem lógica, por exemplo, é trazer a lógica para “cima da mesa”. O que tenho reparado muito na minha vida, é que há pessoas que trazem precipitadamente a lógica para “cima da mesa”. Como? Realizando convictamente juízos lógicos diante temas, que muitas das vezes, desconhecem quase totalmente. Um determinado assunto vem para “cima da mesa”, e uma pessoa precipita-se a julgar convictamente que algo não tem lógica. Por exemplo. Questiona-se o que sabe acerca do assunto, e por vezes, não sabe quase nada acerca dele. Nunca o estudou, investigou, nem procurou conhecer ou compreender verdadeiramente. Tem apenas preconceitos acerca dele. Muitos deles distorcidos e denigrativos. Mas julga que está em condições para realizar um juízo lógico. Com muita convicção. Ora, com isto podemos levantar muitas questões. Vem-me logo à ideia a possibilidade de existir o efeito Dunning-Kruger (incapacidade de reconhecer a própria incapacidade, ignorância e incompetência). Mas também a questão, quando é que estamos em condições para realizar adequadamente um juízo lógico? (Claro que podem e devem ser colocadas muitas questões, mas neste momento centrar-me-ei apenas em algumas). Para tal, mas não só, criei uma teoria da logicidade. Pensando a lógica aplicada ao dia-a-dia das pessoas. (Para compreender melhor esta teoria recomendo a leitura da minha obra “Filosofia aplicada à consciência e felicidade”). Um sistema lógico participa de três princípios fundamentais: “diversidade elementar”, “congruência correlativa” e “sustentação pela totalidade”. Pelo menos idealmente. Um sistema lógico é por exemplo uma logicidade. Que poderá ser uma possibilidade lógica, uma realidade lógica, etc. Ora, qualquer assunto que queiramos trazer para cima da mesa, e que queiramos juntar a lógica, poderemos juntar esta teoria da logicidade. 

Se qualquer assunto for admitido como logicidade (no sentido da possibilidade lógica) e quisermos realizar o juízo lógico, primeiro deveremos procurar conhecer e compreender a totalidade do assunto (pois um dos princípios fundamentais é a “sustentação pela totalidade”). Assim poderemos evitar realizar um juízo lógico diante o que poderemos não conhecer, muito menos compreender. Pois, a questão que se segue é: «Quando é que conhecemos um determinado assunto tão profundamente, para podermos realizar adequadamente um juízo lógico?» Quando é que conhecemos a “totalidade” de um assunto? Quando é que estamos em condições para dizer convictamente que algo tem lógica, ou que algo não tem lógica? Pois. Temos de ter consciência da nossa própria ignorância. A humildade como virtude moral é muito importante para a realização das virtudes intelectuais. E assim podermos evitar a precipitação intelectual. Através de uma «prudência intelectual». Esta teoria da logicidade serve para que evitemos a realização compulsiva de juízos lógicos, serve para que nos forcemos a lembrar da nossa própria ignorância. Serve como base de orientação intelectual. Apesar de ser profundamente abstrata e abrangente. Mais abstrata do que a lógica formal. O que importa é que lembre as nossas consciências, a ignorância que poderá existir quando queremos realizar juízos lógicos. Levando à busca de mais conhecimento e de mais compreensão. Evitando-se precipitadamente os preconceitos lógicos. Quantos cientistas e intelectuais (precipitadamente) realizam juízos lógicos diante assuntos que desconhecem quase totalmente? Pois. O que poderá condicionar profundamente o avanço, o progresso, da humanidade. 

 

Capítulo da obra “Reflexões filosóficas sobre a felicidade Todos os Volumes” (Chiado Books, 2021). Autor Filipe Calhau.

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Filipe Calhau é natural de São João da Madeira e residente com raízes familiares em Vagos. É licenciado em Filosofia pela Universidade de Coimbra. É consultor filosófico. É ativista filosófico e para uma pedagogia da felicidade. Membro da APAEF – Associação Portuguesa de Aconselhamento Ético e Filosófico, onde dá formação certificada em Individualogia. Foi conferencista na 5ª edição do Seminário de Estudos sobre a Felicidade, com o tema: “Ética a Nicómaco”, realizado na Universidade Católica Portuguesa a 29 de maio de 2019. Investigador integrado no projeto “Perspetivas sobre a felicidade”, Contributos para Portugal no WHR (ONU). Tem um canal de filosofia no YouTube e várias obras publicadas na área (18 obras ao todo, publicadas em Portugal e no Brasil).

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