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O PLANETA E O AUTOCARRO

Opiniao

Há quem diga à boca cheia:

  • que só as gerações mais jovens conseguem resolver os problemas da atualidade, nomeadamente ambientais, e salvar o planeta;
  • que as gerações anteriores são responsáveis pela crise multifacetada que atualmente atravessamos;
  • que a culpa é dos homens!…

Perante estas menções ultrajantemente simplistas e redutoras, faço de seguida um paralelismo, precisamente entre a situação do planeta e a fila para o autocarro, algo que normalmente tenho que experienciar, para demonstrar que nenhuma das afirmações referidas inicialmente assim é.

Normalmente, quando as filas para o autocarro não são muito longas não costumam haver grandes problemas porém, quando a mesma se alonga há uma alteração comportamental por parte de alguns ao ponto de por vezes haver troca de insultos e mesmo agressões físicas!

Recordo algo que observei há já alguns meses ainda no antigo terminal de autocarros no Campo 24 de Agosto na cidade do Porto: por razões não mencionadas na altura um dos autocarros não apareceu para fazer o serviço de transporte à hora marcada e por conseguinte todos os que planeavam ir nesse autocarro tiveram que aguardar pelo próximo.

Com o passar do tempo a fila foi ficando com uma dimensão considerável (algumas dezenas de pessoas) e eis que surge um jovem (devia ser estudante universitário com cerca de 20 e poucos anos) que vendo a dimensão da fila andou de um lado para o outro até que parou fora da fila. Quando o motorista do autocarro seguinte chegou e abriu a porta gerou-se um amontoar de pessoas junto à porta do mesmo e o referido jovem lá se meteu no meio da confusão e entrou à frente de muita gente, inclusivamente de mim próprio.

Consequentemente pergunto aos leitores se acreditam nas intenções de alguém, seja mais ou menos jovem, que não respeitando uma simples fila para o autocarro, possa ser, neste momento, um elemento positivo e pró-ativo para a resolução dos problemas do planeta.

Em relação às gerações anteriores simplesmente refiro:

  • 1961 – criação do WWF – World Wildlife Fund;
  • 1968 – é realizada a primeira conferência ambiental global foi realizada em Estocolmo;
  • 1971 – é criada a Greenpeace;

Em minha modesta opinião, idade/ geração, género, raça ou religião são caraterísticas irrelevantes para a tipificação daqueles que contribuem para a resolução dos problemas do nosso planeta. O mais importante é a educação que temos, a educação que damos, a nossa sensibilidade com o todo onde estamos inseridos e a determinação para agir corretamente… todos os dias!

Obviamente que o objetivo desta crónica não é minimizar a importância ou os esforços dos jovens em prol de um mundo melhor, nem ser simplista ao ponto de sugerir que uma pessoa possa por em causa toda uma geração. O objetivo é, claramente, alertar para a injustiça de discursos simplistas e redutores desprovidos de sentido de justiça e realidade!

Por isso é que me alegro de pertencer ao PAN, pois somos um grupo de pessoas multigeracional cientes da importância de uma existência holística, ou seja, cientes da importância que os diferentes seres e plantas desempenham para o equilíbrio planetário e daí que o ambiente não é mais uma rúbrica numa qualquer proposta governativa, mas sim a componente basilar para uma governação moderna, sustentável e de futuro.

Termino referindo algo que muitas pessoas por vezes esquecem: os partidos políticos não são clubes de futebol! Percebo quando os adeptos de um qualquer clube de futebol continuem a apoiar o mesmo até quando este desce de divisão, mas já não compreendo quando as pessoas cegamente votam e apoiam partidos políticos e respetivos líderes que já não fazem parte da solução e são somente um problema ou até mesmo um embaraço para o nosso País.

 

José Carvalho

Comissão Política Distrital do PAN Aveiro

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