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O ÁLCOOL E O TABACO

Opiniao

Vivemos tempos muito estranhos  na maneira de estar e agir em  sociedade. Aquilo que antes era socialmente mal visto, agora é aceite com normalidade e até com um toque de classe. Quem  não andar de copo numa mão e um cigarro na outra, é visto de esguelha.

Então, na adolescência, e juventude,  quem  não seguir a manada é alvo de bullying. E é por aí que tudo começa.

Diz-se, frequentemente, que Salazar terá dito  que o vinho dava de comer a 1 milhão de portugueses. Se foi ele que o disse ou não, agora, pouco interessa.  Salazar saiu de cena em 1968, e  55 anos depois, o consumo de bebidas alcoólicas disparou brutalmente, e é uma das pandemias que afecta seriamente  a saúde, e o comportamento da sociedade portuguesa e mundial. A adição ao álcool e o tabaco fizeram disparar doenças graves associadas a estes exageros e não estão a ser devidamente combatidas na origem. Agora, começam  a beber na puberdade alastrando-se pela adolescência e juventude.

Portugal é líder, no que ao consumo de vinho diz respeito. Em média são consumidos 54 litros de vinho, por pessoa e o consumo de cerveja, segundo dados de 2022, foi de  58 litros ano , um aumento de 20% em relação a 2021. E fico por estas duas bebidas, já não vou às bebidas destiladas e a outras combinações muito mais perigosas . Triste recorde.

De pouco interesse  tem a interdição do tabaco e de determinadas bebidas alcoólicas,  se em estabelecimentos, a menores de idade,  se permite  a venda de outras bebidas de baixo teor  alcoólico. Álcool é álcool não há um bom e outro mau, seja aonde for . Ambos são altamente prejudiciais, porque ambos degradam, viciam, e matam. Quem controla e fiscaliza os eventos sociais , e todo o tipo de festas e romarias, festivais, eventos universitários,bares ou discotecas, etc etc?.  Não tenho registo que, em determinado evento, foram autuados  ou levados para a esquadra, X menores por consumo de álcool, ou, por essa via, levados para a esquadra . Há, quando muito, raríssimas excepções. Isto, para além de, também,  o fazerem na rua, conferindo perturbações a quem por ali circula e aos moradores.

O que é noticia são os comas alcoólicos, os exageros e todas as condicionantes perniciosas para a nossa juventude. 

Álcool e o tabaco são, por outro lado, uma verdadeira chaga social (consentida), da nossa sociedade. Os grandes eventos são patrocinados por bebidas alcoólicas com verbas tão chorudas que dão que meditar. Se o fazem é porque têm lucro.

Em 2022 uma determinada marca de cerveja pagou 140 mil euros mais IVA e este ano, porque não teve a exclusividade, pagou 90 mil euros, mais IVA,contas do jornal Alto Minho. Isto aconteceu aqui, ao lado, em nas Feiras Novas, em Ponte de Lima. Quem é que se incomoda com isto? 

Ou o patrocínio da selecção nacional de futebol sénior. Que sociedade queremos para o futuro? E a saúde, onde fica a saúde ?

Só que os lobies destes  sectores têm imenso poder e o Estado, guloso, recebe bons impostos. O lucro e  a ganância estão em primeiríssimo lugar. 

Todos sabemos que  álcool e a condução são inimigos perigosíssimos e inconciliáveis contudo, nunca vi que, nas entradas e saídas desses eventos, houvesse uma pedagogia de forma constante, obrigatória,  pelas forças da autoridade, a fazer apelo e sensibilização e na saída fiscalização. Porque os interesses são demasiado poderosos. 

Mas se queremos ter um futuro melhor do que  durante estes 55 anos atrás, temos que agir depressa, nesse sentido, e deixar de fingir que está tudo controlado, porque é falso. Estamos, isso sim,  muito pior do que nessa data. Se houvesse  rigor,e uma política honesta,  a conversa era outra.

No dia em que a taxa de alcoolemia for detectada por uma maquineta qualquer, tipo dos radares que nos caçam por excesso de velocidade,  e  vontade em a pôr em execução, de dar à sociedade outro rumo, teremos uma sociedade mais livre de drogas, mais segura e, sobretudo,  saudável. Até lá continuam a assobiar para o lado, a fazer que fazem, e a permitir que homens e mulheres, uma enorme maioria, menores de idade, se continuem a comprometer o seu futuro e a matarem-se nas estradas.

É isso que queremos ?

Candemil, a 20 de Setembro de 2023

José Venade

(José Venade não segue o actual acordo ortográfico em vigor)

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