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LUÍS FERNANDES: “CONSIDERO A MÚSICA SER UM BEM QUE NOS AJUDA A DESCONTRAIR E, QUANDO FEITA COM AMIGOS, HÁ EMPATIA, CUMPLICIDADE, HÁ MISTÉRIO…”

ENTREVISTAS

Luís Fernandes é músico, começou com 8 anos, esteve no Conservatório, gosta de Bach, Mozart, Beethoven e de Maslanka e é diretor de orquestra. E a direção dá-lhe imenso prazer. 

 

Como é que a música entrou na sua vida?

Comecei muito cedo, com cerca de 8 anos. Primeiro com flauta de bisel e pouquíssimo tempo depois, com aulas de guitarra clássica com a D. Teresa, esposa do Sr. Camilo, que residiam na Corga. Mais tarde, entrei para o Conservatório Regional de Aveiro, onde estive até ingressar no Serviço Militar.

O facto de ser militar ajudou-o nessa área?

O facto de ser militar não ajudou muito no que respeita à evolução na área, contudo trouxe outros conhecimentos, não só na área militar (respeitante a cerimonial militar) mas também no que respeita estritamente à música. Tive oportunidade de frequentar algumas formações na área, Master Classes de direção de Orquestra de Sopros e alguns Cursos de Formação onde foram ministradas diversas disciplinas na minha área. A acrescentar a tudo dito, o facto de estar a trabalhar unicamente na vertente musical, permite-me que me cruze com imenso pessoal músico, convívio esse, que acaba sempre por fazer evoluir.

A música é feita de amigos?

A música, antes de mais, faz amigos! Sim, é feita de amigos, para amigos e não só: é para todos e de todos. Considero ser um ‘bem’ que nos ajuda a descontrair, relaxar, pensar. Quando feita com amigos, para amigos, há empatia, cumplicidade, há mistério, em suma, música mais bem feita, com mais sentimento.

Que instrumentos toca e qual lhe dá mais gozo tocar?

Conforme referi antes, o meu primeiro instrumento musical foi a flauta de bisel. Toco guitarra clássica, instrumento este em que já dei aulas. Toco piano, o qual foi o meu instrumento no meu percurso no Conservatório. Toco trompete, instrumento que geralmente uso na atividade militar, se bem que, atualmente, faço mais direção de Coro e Brass Band e a trompete ficou um pouco de lado. Todavia, este é o instrumento que uso quando tenho saídas com a banda na minha outra atividade musical. Na minha vida militar onde dirijo Coro e Brass Band, para o maestro, esses são os seus instrumentos, ou seja, a banda é o instrumento do maestro. No que respeita a gosto particular de algum, posso dizer que todos os instrumentos bem roçados são fontes de prazer. Adoro tocar piano e acompanhar ao piano, mas a direção é uma atividade que me dá imenso prazer.

Ouve muita música?

Sim, ouço alguma música. A minha rádio de eleição é a nossa Antena 2. A minha formação de Conservatório é mais virada para a música erudita, logo a Antena 2 sempre me acompanha. Ouço, também, alguma música de países orientais onde encontramos escalas algo diferentes das nossas (tão usadas) escalas diatónicas e onde, a título de exemplo, são exploradas outras maneiras de fazer música, de usar as capacidades dos instrumentos e onde fugimos ao nosso ‘normal’ cenário musical. A exploração de demi-tons, entre outras técnicas, são interessantíssimas e alargam-nos os horizontes musicais. Não gosto, de todo, música ‘Pimba’ ou a chamada música de martelos. Também não me agrada nada música ‘feita a metro’ onde serve praticamente para promover alguém que fica muito aquém do mínimo exigível.

Quais são os seus ídolos dentro da música?

Artistas conhecidos não tenho assim muito a dizer. Gosto de compositores como Bach (Johann Sebastian), Mozart (Wolfgang Amadeus) … enfim, há imensos senhores que nos marcaram. Temos bastantes outros tais como o nosso pré-romântico Beethoven (Ludwig Van) o qual pertence ao período clássico, mas já no seu final, ou seja, início do período romântico e que trouxe peças brutais de enorme mestria. Mas há imensos mais… mais recentemente, tive o prazer de dirigir uma peça de Maslanka (David) o qual faleceu em agosto de 2017 e que me marcou bastante. Dirijo uma peça sua chamada ‘Give Us This Day’ a qual é simplesmente maravilhosa!

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