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LENTISQUEIRA – CEMITÉRIO POPULAR: CENTENÁRIO – PARTE III (1920-2020)

cais

1920: Dádiva inicial – Manuel Gomes Barreto, área aproximada de 2800 m2.

1982: Dádivas, acrescento – Delminda Ramos, Maria da Luz de Jesus, Padre Horácio e sua irmã Maria Morais, área aproximada de 1600 m2.

Área total atual de dádivas foi de aproximadamente 4400 m2.

Preceito: todos os beneméritos e familiares diretos mantêm a desoneração à folha de pagamento.

 

Dou assim este apontamento, antecedido de outros dois, e assim contados em relação aos 100 anos do cemitério.

Obviamente, lembrar e agradecer também a todos os que quiseram que os que “partindo” regressassem às terras da Lentisqueira, e a todos os outros onde quer que os sintamos eternos, viventes e/ou universais.

Depois da abordagem ao principal benemérito na dádiva da propriedade rústica, com dimensão inicial de, aproximadamente, 2800 metros quadrados, iniciativa tributável a Manuel Gomes Barreto.

Não me debrucei sobre quem presidia às autarquias na inauguração deste cemitério.

Na base desta abordagem, contei com os meus memoriais e de antecessores meus a quem ouvindo testemunhar factos. Daí que, cautelosamente, ficam desde já desculpas pelas omissões que possam existir no final do que aqui se apresenta, despretensiosa e parcialmente assim de grosso modo contado.

No atinente ao acrescento do espaço do cemitério foi no ano de 1982 existia a comissão de zelo do mesmo Licínio Cruz, Adélio Manco, Virgílio Francisco Manco e Emídio Ribeiro. Presidia à Câmara Municipal de Mira, já no segundo mandato de 4 anos, Mário Marques Maduro e à Junta de Freguesia de Mira João Baptista Mendes.

De salientar que, pouco ou nada, se falava de cremações e, muito menos, cá pela aldeia.

Todas as dádivas eram assim bem-vindas tanto mais que destinadas ao bem comum, onde nunca estiveram em causa contrapartidas ou capital em caixa. E muito menos propostas com fins lucrativos.

Uma realidade que se tornou, assim, centenária por tradição e por prática comunitária.

Passando, então, à segunda temporalidade de dádivas, tivemos mais beneméritos, já suprarreferidos.

Em reflexão cabe apreciar as dimensões de terras de semeadura, um ponto geográfico ligeiramente elevado, talvez dos mais elevados do concelho, zona ainda hoje de reduzidas leiras, mas das quais, unidas ou separadas, fizeram depender os setores primários, secundários e terciários, tal como, aliás, assim era na principal geografia da região da Gândara litoral.

Sobre isso, e a continuar a escrever sobre a aldeia, darei nota noutros capítulos sobretudo em relação aos cereais, ao leite e aos animais como principais e fortes forças de mão-de-obra local, quase suficiente à terra e curtas redondezas.

A capela atual, existente no cemitério, foi assim mudada para o fundo da atual aglomeração de terrenos.

Com ousadia, talvez, considero o nosso cemitério indissociável desta breve historiografia. Alcançou, no tempo, nele próprio e nas redondezas, um estatuto de museu a céu aberto.

Posso acrescentar aqui uma nota de interesse antropológico pelo facto de saber ter sido uma criança de 7 anos a primeira a sepultar. Concretamente, irmã de meu pai, Augusta de seu nome. E que, por se tratar de funeral inaugural, contou com presenças representativas autárquicas, concelhias e republicanas, que contavam apenas uma dezena de anos de implantação.

Ainda outro dado relevante, no facto de ter sido um funeral religioso, orquestrado e tocado pela Filarmónica Ressurreição de Mira.

Sobre esta historiografia em si pode fazer-se, tal como um poema, num breve instante. Comparativamente com um cemitério que levou a construir mais de cem anos.

 

PS – Agradeço ao Jornal da Gândara a presente publicação.

In “Pedras sem Tempo” de Domingos Freire Cardoso.
In “Pedras sem Tempo” de Domingos Freire Cardoso.

Domingos Neto

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