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FEIRA À MODA ANTIGA REGRESSOU A TENTÚGAL

DO OUTRO LADO

No dia 30 de abril foi tempo de mercar e conviver junto à capela de Nossa Senhora dos Olivais, no Parque Verde de Santa Luzia, na Ribeira dos Moinhos, freguesia de Tentúgal. Pela mão da Associação Corvo e Pinho, a Feira à Moda Antiga regressou e atraiu muito público que se deixou envolver pela beleza do espaço e aproveitou também para adquirir, entre outros, antiguidades, doçaria ou artesanato.
Com palavras de elogio à organização, Nuno Gonçalves, chefe do Gabinete do Presidente da Câmara Municipal de Montemor-o-Velho, referiu: “Paralelamente aos momentos de convívio, estas são iniciativas que promovem a gastronomia, o sentido de pertença a uma comunidade e o território onde está inserida, mas são também momentos de convívio intergeracional e uma de transmitir às gerações mais novas a riqueza do nosso património imaterial”.
Ao longo do dia, houve ainda espaço para a música e o folclore, recriação o ciclo do linho – (A)linhando, bem como decorreu um concurso de cestos de piquenique e animação de rua que recriou “a receção aos romeiros a caminho de Santiago”.

 

História:

A Feira da Senhora dos Olivais teve início no reinado de D.Dinis, realizando-se durante séculos no último domingo de abril.

A escolha do mês de Abril, prendia-se com a aproximação das sementeiras e necessidade de vender não só os excedentes agrícolas mas tudo o que fosse vendável, de forma a juntar algum dinheiro para investir no novo ano agrícola.

Linho, produtos hortícolas, azeite, vinho, alfaias agrícolas, lenha, gado miúdo, carpintaria de obra grossa, peças de couro, tudo se podia encontrar na Senhora dos Olivais.

Como acontecia em todas as feiras, às trocas comerciais juntava-se o culto religioso e o lazer. Sendo local de passagem e de peregrinação, nesta ermida se veneravam para além da Senhora dos Olivais (Nossa Senhora da Encarnação), Santa Luzia, São Caetano e Santo Amaro.

Existem indícios de que a Igreja Matriz de Tentúgal terá sido local de passagem e acolhimento em peregrinações que se faziam a Santiago de Compostela, no percurso de Pombal a Cantanhede. A ermida da Senhora dos Olivais era alternativa escolhida por muitos romeiros que procuravam maior recolhimento e pretendiam fugir ao ambiente de briga e desordem que os mendigos e vagabundos frequentemente criavam nos locais que os albergam.

O ermitão, que estava sob a alçada do Reitor da Freguesia, do Duque do Cadaval e da Confraria da Senhora dos Olivais tinha como obrigação manter a ermida limpa, preparar hóstias para a missa que qualquer padre que estivesse de passagem quisesse celebrar, assistir os peregrinos provendo-os de pão, vinho e frutos e, para os mais debilitados, uma sopa quente e curativos à base de ervas medicinais.

Como regalias, o ermitão, para além do direito à casa (infelizmente já destruída), tinha direito a uma parte das esmolas, ao cultivo do terreno aforado à capela e a ter consigo a sua família. Existe, na Ribeira dos Moinhos, a família Pereira, descendente do último ermitão da capela da senhora dos Olivais.

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