Scroll Top

ENTREVISTA COM MÁRIO FRADA: “TENHO ESPERANÇA DE QUE DA PARTE DAS ENTIDADES DO NOSSO CONCELHO O GRUPO ‘ALDEIA VELHA’ VENHA A TER O RECONHECIMENTO QUE EU ACHO QUE MERECE”

ENTREVISTAS

Mário Frada foi um dos fundadores do “Aldeia Velha”, grupo de fados por onde passaram muitos músicos e muitos fadistas. Nesta entrevista, recordam-se mais de quarenta anos de um grupo que “era uma família”.

 

Como surgiu a ideia de criar o grupo de fados “Aldeia Velha”?

Numa das noitadas de fados com Manuel Sargento, Mário Rua e o João Moitinho, pensámos: porque não criar um grupo de fados? Todos concordámos com a ideia e, assim, os quatro fundámos o grupo.

Nas festas de Portomar, o então apresentador do espetáculo, José Colaço, ao chamar o grupo para atuar disse: este é cá dos nossos “Aldeia Velha”. E foi a partir desse momento que estava encontrado o nome do grupo de fados. Ficou como nosso padrinho, o nosso grande amigo, José Colaço. Formámos, então, no Clube DOMUS NOSTRA, a secção de fado.

 

O grupo durou mais de quarenta anos. Que balanço que fazes do tempo em que o grupo existiu?

Desde a sua formação, não mais o grupo parou.  Começou aí uma caminhada de mais de quarenta anos. Surgiram muitos convites para atuações em festas. Das primeiras, recordo a Quinta da Lagoa, do nosso amigo Manuel Rato Frade, onde íamos regularmente.

Depois, entraram para o grupo Paulo Alexandre (guitarra), Artur Fresco (viola), Helena Colaço (voz). Fizemos nessa altura um contrato com um restaurante de Oliveira do Bairro, de nome “Postigo”, onde íamos todos os sábados atuar.

O grupo, ao longo dos tempos, foi-se renovando. Apenas três dos quatro iniciais se mantiveram juntos em mais de quarenta anos: Manuel Sargento, Mário Rua e Mário Frada. Outros nomes surgiram, penso não me esquecer de ninguém. Foram eles Fernando Cetano (voz), José Domingues (viola), Pedro Claro (viola), Henrique Martins (voz), Ana Lúcia (voz e viola), Carlos Coluna (viola), a sua irmã (voz), Maria do Sameiro (voz), Maria do Carmo (voz), Carlos Álvaro (voz), ,Victor Santos (viola), António Silva (voz), Diana Palhavã (voz), Manuel Ribeiro (guitarra), António Cainé (voz) e Isaura Miranda (voz). Com estes três últimos, gravámos um CD e passámos muitos anos juntos. Peço desculpa se falta mencionar alguém.

Nestes quarenta anos, muitas histórias vivemos nas atuações em França, Espanha, Açores…muitas festas dentro e fora do nosso concelho. Colaborámos com todas as coletividades, Bombeiros, Ala Arriba, Touring, CERCIMIRA, lares, creche e restantes coletividades do nosso concelho, Festa de S. Tomé, Festa de Nossa Senhora da Conceição, na Praia de Mira.

Foram muitas noites em que o grupo participou simplesmente apoiando, sem nada pedir em troca. Era um grupo muito solidário.

Em França, e a convite da Câmara Municipal de Mira, fizemos muitas atuações nos vários anos que fomos atuar para emigrantes.

Foi, realmente, um orgulho muito grande fazer parte deste grupo, de grandes amigos. De amizades que ficam para a vida.

 

Falando dos músicos. Quem te deixa mais saudades?

Como devem calcular, os outros que me perdoem, mas há um nome que não vou mais esquecer. Foram mais de quarenta anos juntos, muitas noitadas, muitas alegrias, um homem com um grande sentido de humor, era sem dúvida um grande homem. Falo do grande amigo Mário Rua. Obrigado por tudo o que nos deste.

Tenho esperança de que da parte das entidades do nosso concelho o Grupo “Aldeia Velha” venha a ter o reconhecimento que eu acho que merece. E para o que tanto contribuíste, Mário Rua.

 

Sentes pena por o grupo ter acabado?

Senti uma grande tristeza por o grupo ter acabado. Mas não podem os continuar sem um pilar tão importante da sua fundação. Podíamos arranjar outro tocador de viola, mas nada seria igual. Éramos uma família.

Espero que os jovens recordem que, em Mira, existiu o grupo de fados “Aldeia Velha” que, no meu entender, muito contribuiu para a cultura do nosso concelho

 

A música, o fado, continuam a morar em ti?

O fado continua bem dentro de mim. Continuo a cantar até que a voz me doa. Tenho feito algumas noitadas e estarei sempre que for solicitado.

Antes de terminar, queria agradecer-te, António Veríssimo. Também nos acompanhaste nesta aventura. Muitas foram as entrevistas que demos na Rádio Bairrada e no jornal. Também tu fazes parte da nossa história.



Posts relacionados