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E PORQUE É QUE TEM QUE SER ASSIM ?

Opiniao

Portugal é um país com poetas, sejam eles de cariz profissional ou meramente amador.

Eles estão um pouco por todo o lado. Desde os jornais ligados as Dioceses, ou aos regiões.

Fazem-no por vocação e prazer. Pro bono. Mais ou menos letrados, eles, partilham o seu saber, o seu modo de pensar, as suas crenças e vivências, o  seu amor à terra, nos versos que lhe devotam.

Não sei se no futuro, continuará a ser assim. Isto, porque quem os escreve, é uma geração de cabelos brancos ou pintados, não se vê gente nova como não se vê em muitas outras actividades. Os que podem emigram.

 

As pessoas estão tristes, porque vivem tristes, enganadas e espoliadas pelos impostos que, antigamente, não pagavam. Os portugueses, aos poucos, estão a perder a alegria e a espontaneidade, que os caracterizava.

Então o que é que os fez perder a alegria, se uma grande fatia viveu em ditadura e em condições de pobreza, mas mesmo assim dizem que eram mais felizes?

 

A meu ver nada pior do que termos sido sucessivamente enganados. 

 

É que, quarenta e nove anos de enganos, é muito tempo.

 

Retrocedendo no tempo.

 

 Com o ultimo ditador, Marcello Caetano , receberam aquela que ficou conhecida por Primavera Marcelista. As pessoas que trabalhavam no campo começaram a ter uma pensão de reforma e, ao mesmo tempo, as condições de vida melhoraram substancialmente, em apenas seis anos.

 

Há quarenta e nove anos, chegou o golpe militar do 25 de Abril e com ele a democracia(?). E tantas enxurradas de promessas, que nunca mais pararam. E as mesmas mentiras continuam quer em campanhas eleitorais, quer em celebrações oficiais. Porque medem a qualidade de vida da maioria, pela deles.

 

Liberdade, igualdade e quejandos. Agora é que vai ser, prometem. Só que, na prática, e espremendo muito bem, a situação de vida nunca se actualizou. Melhorou,bastante,é certo. Dezenas de actos eleitorais, milhares de promessas, repetidas. Muita parra pouca uva.

 

E eles, o povo, podem não ser doutores mas não são parvos, vêm que, são sempre os mesmos os bafejados pelas medidas governativas, e desesperam. E não entendem esta coisa “simples”, da igualdade,  que tanto lhes prometeram e ainda a apregoam. Nem o povo os leva a sério.

 

Em 1996, com a nossa adesão à então CEE e até à presente data, foi-nos oferecido 150 mil milhões de euros, para que nos modernizasse-mos e nos pusesse-mos em pé de igualdade com países desenvolvidos. Foi o mesmo que por manteiga em nariz de cão.

 

Porque é que nós não temos o mesmo poder de compra que os nossos vizinhos espanhóis?Sim, é natural que nos comparemos com os nossos vizinhos.

 

Este rectangulo, que é Portugal, tem 1214 quilómetros de fronteira ininterrupta com Espanha. Vai do Minho ao Algarve. Estamos ligados, por terra, aos nuestros hermanos, e há uma partilha entre os dois povos que desconhece limites geográficos. Pelos outros dois lados temos como vizinho o mar com 943 quilómetros de extensão.

 

E não entendem-entre muitas outras coisas- porque é que o Salário Mínimo Nacional (SMN)é, em Portugal,  é de € 760.00 enquanto que  na Espanha é de € 1.080.00. Muito menos entendem porque é que um automóvel, novo, na Espanha, é de 20, 30 e até 40% mais barato que em Portugal. Ou uma botija de gás que custa metade Dei estes exemplos mas podia dar muitos mais. Porquê esta diferença?

 

A mesma diferença se aplica aos salários, aos bens de primeira necessidade  e ás pensões de reforma.

 

E, por isso, os portugueses fogem, emigram. E fazem-no aqueles que, à custa dos nossos impostos, se formaram nas nossas universidades, e vão em busca de um salário digno. Portugal dá-se ao luxo de formar excelentes quadros para beneficio de outros.

 

 Mas, também emigram os melhores profissionais, onde lhes é reconhecido o valor. Enquanto por cá o país continua adormecido e enterrado num lodaçal, entregue a um governo que, de escândalo em escândalo , faz questão em não governar. Parece que estão em greve de zelo.

 

Com salários tão baixos, pensões de reforma miseráveis e uma carga fiscal que, em 2022 bateu novo recorde, ao crescer 14,9% para se situar em 36,4%, não há motivos para sorrir.

 

Candemil, a 02 de Maio de 2023

 

 

José Venade

( José Venade não segue o actual acordo ortográfico em vigor)

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