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COMUNICADO DE IMPRENSA MCD: CONCLUSÕES DO FÓRUM CIDADANIA, CULTURA E PATRIMÓNIO

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Cidadania Cultura e Património

Museu da Indústria Têxtil da Bacia do Ave

 

Excelentíssimas Senhoras

Excelentíssimos Senhores

Caros amigos

 

O Movimento de Cidadania Democrática teve a honra de dinamizar mais um fórum de reflexão, ontem, dia 10 de setembro, sobre Cidadania, Cultura e Património.

Não podia ter escolhido melhor local que o museu da Indústria Têxtil da Bacia do Ave para homenagear a cultura e o património desta rica região.

Imperativo de Cidadania, o Movimento de Cidadania Democrática congratula-se pelos oradores que nos brindaram com os seus pensamentos e opiniões, fulcrais numa sociedade cada vez mais submissa.

Património, palavra forte e rica mas quantas vezes incómoda e difícil de gerir. Herança do passado, deve ser hoje, cada vez mais, motivo de intervenção de cidadania.

Dos oradores participantes expressa-se, em síntese, as grandes ideias que procuraram partilhar.

A Drª Paula Veiga falou-nos sobre cultura e cidadania, porque falar em património é também falar em cultura.

Cidadania como postura na vida, relaciona-se com os direitos e deveres humanos que regem uma sociedade. A Cidadania é também conhecimento subjacente ao conjunto de comportamentos de identidade de uma sociedade, inserida num contexto geográfico.

A cultura enquanto expressão da cidadania torna-nos melhores cidadãos.

A multiculturalidade pode gerar conflitos que urge evitar pela aculturação, ou quando não possível por esta via, pela tolerância de valores.

Na atualidade, cultura e cidadania, inseridas num cenário de globalidade, sofrem hoje vivências que se tornam necessárias de regulamentar, por forma a evitar os conflitos interjecionais.

Portugal enquanto país aberto ao Mundo tem um papel fundamental na defesa do multiculturalismo.

 

Giovanni D’Amore, mais do que cidadão italiano ou português é um cidadão do Mundo que ama a cultura, a arte… a música.

Para Giovanni, a cultura é o sal da vida. Recordou com saudade a cultura do povo trabalhador do Vale do Ave, hoje bem retratado no Museu Têxtil da bacia do Ave. Na sua opinião, estes espaços não devem ser espaços fechados, mas abertos à vida, para turistas e para todos os que precisam recordar o sabor da vida de outros tempos.

Hoje, infelizmente temos uma falta de direitos face aos deveres que são precisos cumprir. O poder impõe-se sobre as nossas vidas quando devia dar liberdade para celebrar a cultura… a vida. Todas as formas de cultura deveriam ser acarinhadas e não apenas aquelas que nos querem impor. 

Para Giovanni, cultura e cidadania devem andar de braço dado pelo mundo, vencendo as barreiras impostas pelos países cada vez mais tecnológicos.

Giovanni defende as tradições, os valores, os sons, sabores e cheiros de cada lugar.

Terminado o tempo de intervenção destes oradores foi dada oportunidade ao público presente de expressar as suas opiniões, ou para colocar as suas interrogações.

Assim, sobre a polémica do ensino, na escola pública, da Cidadania e Desenvolvimento, enquanto disciplina, a Drª Paula Veiga teve a oportunidade de refutar que a mesma é vista de forma crítica, uma vez que preocupa o seu carácter obrigatório, com conteúdos polémicos, dado que aborda temas de carácter ideológico que fere os valores das famílias. Na sua opinião concorre-se para a despadronização das famílias. Esta disciplina deve ser pensada de forma diferente na sua estrutura e na forma de lecionação.

Neste mesmo debate, sobre as questões relacionadas com a pandemia da Covid 19 ficou a nota da existência de liberdade de opiniões sobre a sua ou não existência, comprovando deste modo que quer nos fóruns já realizados, quer para o Movimento de Cidadania Democrática, esta é a verdadeira fundamentação da sua realização e existência, que sabe ouvir à esquerda, à direita, o a favor e o contra.

Na continuidade do fórum Cidadania, Cultura e Património não podia faltar a viagem na cápsula do tempo, do património industrial e da cultura do trabalho das gentes da bacia do Ave. Do tecnológico à vivência humana, o Doutor Lopes Cordeiro transmitiu com paixão o pulsar de uma região de grande riqueza cultural. O som das máquinas na produção dos fios e tecidos, que foi ouvido “in loco”, reproduziram a voz de cada cidadão que nasceu e cresceu com o têxtil. 

O Doutor Renato Epifânio falou das PASC (Plataforma das Associações da Sociedade Civil), como grupo diversificado que tem a mais valia de dar voz a cada membro, partilhando as suas dinâmicas. A PASC assume também iniciativas de eventos de cidadania, como por exemplo, a atribuição do Prémio de Cidadania. Juntos somos mais fortes é um lema de relacionamento entre os diferentes pares. 

Sobre lusofonia apresentou o MIL (Movimento Internacional Lusófono), e o devir associado a esta dimensão. Referiu que, cada iniciativa realizada ou participada é sempre um desafio para os tempos seguintes, porque a defesa da lusofonia não pode ter fronteiras. Em conclusão Renato reivindica uma maior e mais agregadora cooperação entre a plataforma dos países da CPLP.

O Doutor Cândido Ferreira orou sobre a defesa do Património e Cultura – Pensar global, agir local, definindo-se, intimamente, como uma pessoa que tem o interesse pelo conhecimento e, pelo sentido da justiça. Por isso, pensar global é um dos seus desafios que dá largas à paixão da escrita. Pessoa multifacetada em termos de interesses e vivências, mostrou imagens da sua coleção “de vida”, que traduz também a sua cultura.

Lamenta o silenciamento a que foi muitas vezes votado, sem que para tal tenha contribuído.

O seu testemunho e contributo de cultura estará representado no novo Museu do Colecionismo, sediado em Cantanhede, numa coleção diversificada, que apresenta uma grande riqueza de quadros de pintores conceituados, moedas de diferentes épocas e peças arqueológicas de diferentes culturas.

O seu agir local fica patente na vontade de dar a conhecer a cultura enquanto cidadão ao serviço das comunidades. 

No debate realizado no final das intervenções destes oradores ficou, uma vez mais, a nota defendida pelo Doutor Renato Epifânio de que a PASC é uma plataforma aberta a todas as associações, independentemente do seu espaço geográfico, tendo como premissa a defesa da lusofonia.

Já o Doutor Cândido Ferreira defendeu a ideia de que em termos de arqueologia, vive-se hoje, tempos de uma profunda anarquia, talvez um certo desnorte que em nada favorece a cultura.

Por último, o Doutor Lopes Cordeiro demonstrou a sua paixão pelo tema do Património Industrial, do qual procurou dar uma imagem diferente da imagem tipificada.

A evolução da designação de arqueologia Industrial para património Industrial é também uma forma de conhecimento dos séculos XIX e XX.

De Portugal às ex-colónias esta área de estudo é fértil em conhecimento cultural. Contudo, em Portugal continua a faltar a defesa destes espaços de cultura que podem dignificar o nosso legado de Património Industrial.

No encerramento o Presidente do MCD, começou por assinalar que neste dia 10/set, assinalava-se duzentos anos da independência do Brasil, mas ainda existe muito para fazer! O MCD vai apresentar um “Plano de resposta de emergência nacional, face a crise que vivemos e a que se tem e vai agravar dia para dia! A hipotética data para apresentação deste plano, pode ser no 5/out22. 

E foi deste modo que terminou uma tarde de Cultura, de Cidadania e de defesa do Património, que o Movimento de Cidadania Democrática pretende valorizar.

A todos o nosso muito obrigado pela vossa participação.

Até à próxima iniciativa.

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