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AINDA HÁ TEMPO!

Opiniao

Não poderia escolher outro assunto para esta crónica, escrita em novembro, que não fosse o terramoto que atirou abaixo o governo maioritário socialista e precipitou eleições precipitadas, por um lado para a liderança do PS que ficou órfão de Secretário-Geral e, por outro, para a liderança do país que ficou órfão de primeiro-ministro, em minha opinião por obra e arte de Marcelo Rebelo de Sousa, o verdadeiro estratega de toda esta cilada montada a António Costa que, das duas uma, ou foi vítima de Marcelo e do Ministério Público, o que custa a acreditar, ou se deixou ir à boleia da torrente que o levará à candidatura à Presidência da República que se realizará daqui a nada…! 

Claro que não é fácil compreender como é que um partido a menos de meio do mandato, com maioria absoluta, supostamente com todas a condições para concluir o ciclo de governação em grande, elogiado na União Europeia e em diversas instituições internacionais, se deixou consumir e autodestruir, ao ponto de se ter tornado no elo mais fraco dos pilares do poder e alvo de chalaça, designadamente, pela cegueira do Primeiro-Ministro que não foi capaz de reagir aos casos e casinhos que se avolumaram e deram razões ao Presidente para convocar eleições e acabar com a legislatura. 

A acumulação de erros políticos, a insistência em personalidades irremediavelmente desacreditadas e incompetentes, a nomeação ao jeito português que não aposta em quadros de todo o país e os reduz ao círculo do poder lisboeta, a incapacidade de conceber reformar introduzir novas dinâmicas, a arrogância, o desprezo pelas políticas territoriais, o total desinvestimento do interior, a teimosia perante os professores e outras classes profissionais, a subestimação dos militantes e o crescente compadrio das lideranças, entre outros argumentos que não vale a pena extenuar, ditaram o encerramento de um ciclo, naturalmente abrindo outro, que se espera possa vir a refrescar o partido e a introduzir novas dinâmicas, práticas e éticas! 

Para tal, acredito que o Camarada José Luís Carneiro, candidato em quem deposito a maior confiança e em quem votarei nas próximas eleições para Secretário-geral do Partido e futuro Primeiro-ministro, ganhará e passará a ter todas as hipóteses de ganhar o País e ser eleito Primeiro-ministro, tal como muitos estudos de opinião dão a entender, importando então que faça o que tem de ser feito interna e externamente, a começar pela descredibilização do partido e dos militantes, muito especialmente dos que detêm cargos de elevada responsabilidade, representam o PS enquanto dirigentes, são autarcas, mas não estão à altura das funções que exercem! 

Infelizmente, aqui e acolá o Partido encontra-se refém de interesses que não deveriam sequer ser conjeturados, como por exemplo na Concelhia de Montemor-o-Velho onde há anos é presidida pela mesma pessoa e nas últimas eleições nem sequer foram convocados todos os militantes. Uma concelhia que contava com secções em todas as 14 freguesias e hoje, tendo perdido três, as eleições são concentradas em apenas uma secção, não se sabendo neste momento onde será nas eleições Nacionais de 16 de dezembro. Nem onde será nem quantos militantes terão direito a voto, embora seja certo que quem determinará o resultado será a Ereira, onde existem mais de cem militantes que pagam ou alguém paga por eles as quotas. 

De repente, fiquei com vontade de desafiar os verdadeiros militantes que foram sendo empurrados do PS pelos sujeitos e sujeitas do costume, e convidá-los a regressar ao Partido! Irrita-me bastante a atitude do CHEGA, CDS, IL, PSD, CDU a malharem no PS e verificar que ficamos calados e já nem sequer nos defendemos. 

Vítor Camarneiro 

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